Aviação

TAAG mira expansão global e reforça Brasil como hub estratégico nas Américas

Em um momento de renovação de frota, abertura de novos destinos e retomada de rotas históricas, a TAAG Linhas Aéreas de Angola acelera o seu plano de expansão internacional. A companhia, que desde 2023 opera um processo intenso de modernização, vê no Brasil uma das suas principais portas de entrada para conectar África, América do Sul e, muito em breve, América do Norte.

Em entrevista ao PRONTO PRA VIAJAR, Rebecca Meadows, diretora da TAAG para o Brasil, detalha os impactos da chegada dos novos Boeing 787-9 Dreamliner, o avanço da classe Premium Economy, a estratégia para conquistar o mercado chinês, a ampliação das conexões e a visão da empresa sobre o momento atual do turismo brasileiro.

Dreamliner muda a percepção do passageiro e impulsiona demanda no Brasil

Com a chegada do primeiro Boeing 787-9 Dreamliner em junho e o segundo em setembro, a TAAG marcou um novo capítulo na sua operação brasileira. O modelo passou a voar exclusivamente na rota São Paulo–Luanda e, segundo Rebecca, o impacto foi imediato — especialmente na percepção de conforto e modernidade.

Segundo ela, o antigo Boeing 777 não era, de fato, uma aeronave velha, mas transmitia essa impressão. O Dreamliner mudou completamente o cenário: cabine mais silenciosa, sistemas avançados e entretenimento individual em todas as classes, algo muito solicitado pelos passageiros. “Esse é completamente novo. Ele trouxe um impacto muito positivo para o passageiro brasileiro”, afirma.

A companhia mantém quatro frequências semanais (segundas, quartas, sextas e domingos), mas o bom desempenho da aeronave abre espaço para futura ampliação. “Com a receptividade do Dreamliner, existe a possibilidade de aumentar uma frequência”, adianta Rebecca.

Boeing 787-9 Dreamliner da TAAG

Premium Economy: produto novo, demanda em crescimento

Uma das novidades mais celebradas na nova aeronave é a classe Premium Economy — categoria inédita na TAAG e ainda em fase de estabilização de tarifas e comunicação de produto.

Com 21 assentos e cabine separada, a categoria oferece mais largura, maior reclinação e experiência intermediária entre economy e executiva. Ainda é um produto desconhecido por parte dos viajantes, mas quem experimenta aprova. “Os passageiros que viajam estão amando a Premium Economy. Vale super a pena”, diz.

O desafio atual é ajustar o posicionamento de preço, já que a companhia ainda calibra o valor ideal dentro da realidade global.

Expansão acelerada: novos destinos, novas aeronaves e retorno à China

A modernização da frota — com Dreamliners e Airbus recém-entregues — impulsiona o plano de ampliação internacional. Nairobi (Quênia) já entrou no mapa, seguida de Abidjan (Costa do Marfim) e Accra (Gana), até o fim do ano.

Mas o grande movimento estratégico é o retorno à China, desta vez com foco em Guangzhou. O voo depende apenas da aprovação final do equipamento, mas a projeção é otimista. “A previsão para Guangzhou é bem alta. A equipe na China já está pronta”, afirma Rebecca, projetando início ainda este ano ou no primeiro trimestre seguinte. Londres também está no radar para 2025.

Brasil segue como foco estratégico e hub de conexão nas Américas

O Brasil se mantém como principal hub da TAAG nas Américas, alimentado por parcerias com LATAM e GOL via interline. A companhia ainda avalia novas oportunidades na região, incluindo o possível retorno ao Rio de Janeiro e, mais adiante, operações em outros países da América do Sul.

Outro foco importante é conectar América do Norte e África via Luanda — algo que deve se concretizar com a retomada de voos aos Estados Unidos no próximo ano. “A TAAG quer conectar as Américas à África. E isso passa pelo Brasil”, resume Rebecca.

Turismo brasileiro em alta, mas desafiado pela economia

Do ponto de vista da TAAG, o mercado brasileiro vive um momento de crescimento relevante na chegada de estrangeiros, impulsionado principalmente pela competitividade de preços para quem vem de fora.

Para o brasileiro que quer viajar ao exterior, no entanto, a instabilidade econômica ainda pesa. Mesmo assim, a companhia vê potencial. “O Brasil ainda tem muita oportunidade para explorar além do óbvio: São Paulo, Rio, Manaus, Foz do Iguaçu…”, comenta.

A TAAG também capta tráfego significativo de portugueses e europeus que utilizam Luanda como hub, motivados pela facilidade da língua e boas conexões para o Brasil.

Turismo em Angola ganha força com nova marca: “Visit Angola”

Outro tema muito importante na agenda da TAAG atualmente é o investimento crescente no turismo angolano. O governo lançou recentemente a marca Visit Angola, com estratégia de promover o país como destino turístico global — e não apenas corporativo. Segundo Rebecca, esse movimento deve transformar o cenário. A TAAG trabalha junto ao Ministério do Turismo do país para estruturar campanhas, promover destinos e estimular o interesse brasileiro por Angola e outros países africanos, que ainda são vistos como “exóticos” no mercado local.

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