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UAU CAIXA cresce rápido e mira liderança entre programas de pontos no Brasil

O mercado de fidelidade no Brasil vive um momento curioso: ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais popular, também se torna mais exigente. Hoje, uma grande parcela dos brasileiros já participam de algum programa de pontos, e isso mudou profundamente a forma como as empresas desenham suas estratégias de relacionamento.

Nesse cenário, o UAU CAIXA, programa de fidelidade ligado ao ecossistema da Caixa Econômica Federal, surge com uma proposta um pouco diferente: ampliar o acesso às recompensas e permitir que benefícios estejam disponíveis para diferentes perfis de clientes, não apenas para quem acumula grandes volumes de pontos.

Nesta entrevista ao PRONTO PRA VIAJAR, o CMO do Consórcio Sirius (operadora do programa), Vilton Brito, explica como o comportamento do consumidor mudou, por que o modelo de negócio aposta em resgates reais de pontos e como tecnologias como blockchain e hipersegmentação de dados devem redefinir o futuro da fidelização no país.

Confira a entrevista na íntegra:

  • O mercado de fidelização no Brasil amadureceu muito. O que mudou no comportamento do consumidor?

Vilton Brito: O consumidor está muito mais exigente nas suas escolhas e relações. Passamos para a fase do relacionamento. A jornada não termina mais na compra, ela continua no pós-venda. As marcas viraram “ilhas de interesse”, e desenhar produtos ficou mais desafiador porque o cliente é mais crítico. Para funcionar, precisa haver vantagem real e percepção clara de melhoria nos produtos e serviços. Nossa missão é inovar e ser generosos com os clientes.

  • O consumidor está mais pragmático, buscando benefícios imediatos como descontos e cashback. Como isso impacta o UAU CAIXA?

Vilton Brito: Impacta completamente, porque o cliente virou o centro da estratégia. No UAU CAIXA usamos escuta ativa do público e temos uma visão muito ampla do Brasil. Por isso criamos uma cesta de recompensas que vai além das milhas. Hoje temos mais de 3 mil produtos com desconto, incluindo transporte, fast food, vouchers de delivery, telemedicina e cursos. A ideia é oferecer algo relevante do interior às grandes capitais.

  • Quais indicadores vocês monitoram para medir o sucesso do programa?

Vilton Brito: Monitoramos três indicadores principais. O primeiro é o volume de troca de pontos. Nosso modelo de negócio não depende de pontos que expiram sem uso. Ao contrário, incentivamos o resgate. Se o cliente está gastando pontos, significa que existe alguém feliz do outro lado. O segundo indicador é a experiência no atendimento, acompanhando de perto o que acontece no momento do resgate e também no pós-venda, para garantir que a jornada seja positiva. Por fim, observamos a participação de clientes com baixa pontuação, porque queremos que mesmo quem tem poucos pontos consiga aproveitar vantagens. A proposta é que o programa seja cada vez mais democrático e acessível.

  • Como a integração com o ecossistema da Caixa diferencia o programa?

Vilton Brito: A integração é muito importante. O cliente não precisa pontuar apenas com cartão de crédito. Ele pode acumular pontos em várias interações dentro do ecossistema da Caixa Econômica Federal, como serviços financeiros ou compra de bens. Isso nos permite participar de vários momentos da vida do cliente.

  • Onde está a vantagem competitiva do UAU CAIXA?

Vilton Brito: Em dois pilares: primeiro, nosso modelo de negócio com zero breakage. Ou seja, queremos que os pontos sejam usados. Segundo, a tecnologia. Utilizamos blockchain, o que ajuda o cliente a perceber o ponto como se fosse dinheiro. Isso aumenta transparência e nos prepara para futuras mudanças regulatórias.

  • O programa é recente. Como está a evolução até agora?

Vilton Brito: O programa começou em novembro de 2025 e já teve avanços importantes. Hoje temos mais usuários ativos do que o antigo programa de fidelidade da Caixa, que era mais focado em passagens aéreas. Nossa meta é clara: estar entre os dois maiores programas de fidelidade do Brasil nos próximos três anos.

  • Personalização virou palavra-chave na fidelização. Como vocês trabalham isso?

Vilton Brito: Nascemos com uma estrutura forte de dados e mídia proprietária. Conseguimos criar jornadas totalmente personalizadas para cada cliente. Trabalhamos com microsegmentação e com um comitê de linguagem que define como e quando falar com cada público.

  • O marketing também precisa educar o consumidor sobre pontos. Como vocês tratam esse tema?

Vilton Brito: Todo programa de fidelidade é, no fundo, um programa de marketing. Nosso papel é traduzir o valor dos pontos de forma simples e transparente. Criamos, por exemplo, um canal conversacional no WhatsApp com linguagem próxima do público. O objetivo é reduzir frustrações e tornar o uso do programa mais intuitivo.

  • Segurança da informação é um tema sensível. Como vocês lidam com isso?

Vilton Brito: É uma prioridade absoluta. Trabalhamos com certificação ISO 27001 e seguimos rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados. Temos equipes dedicadas exclusivamente à segurança e monitoramento constante para identificar qualquer anomalia.

  • O peso da marca Caixa influencia a adesão?

Vilton Brito: Sem dúvida. A marca Caixa Econômica Federal tem um legado muito forte no país. Isso gera confiança e engajamento. Em apenas 24 horas tivemos um crescimento de 70% no número de clientes ativos cadastrados.

  • Qual foi o principal aprendizado desde o lançamento?

Vilton Brito: Quando falamos da Caixa, tudo acontece em escala gigantesca. São milhões de transações e interações. Isso exige processos muito bem estruturados. O novo aplicativo do UAU CAIXA nasceu justamente para melhorar a experiência do usuário e abrir espaço para novas formas de pontuação.

  • Para fechar a entrevista, quais tendências você entende que devem transformar o mercado de fidelização?

Vilton Brito: Três movimentos devem ganhar força: Hipersegmentação com personalização avançada, uso de inteligência artificial e dados para melhorar a relação com o cliente e recompensas que vão além de produtos ou milhas, incluindo shows, eventos e experiências culturais. A fidelização está deixando de ser apenas um sistema de pontos para se tornar uma plataforma de relacionamento e experiências.

Acesse os canais oficiais do Programa UAU CAIXA: