Salas VIP

Dragonpass acelera expansão na América Latina e mira nova era das salas VIP

O avanço das salas VIP nos aeroportos mudou de forma definitiva a experiência dos viajantes. O que antes era um benefício exclusivo e restrito a poucos passageiros passou a ocupar um papel central na jornada e, ao mesmo tempo, revelou novos desafios para o setor, como a superlotação e a pressão por infraestrutura.

Nesse contexto, a Dragonpass, plataforma global de serviços e benefícios em aeroportos, amplia sua atuação na América Latina e aposta em tecnologia, novos serviços e diversificação de experiências para acompanhar o ritmo de crescimento do mercado. Em entrevista ao PRONTO PRA VIAJAR, Fabio Lacerda, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa para a América Latina, explica que a expansão do segmento foi exponencial nos últimos anos e reflete uma mudança estrutural no comportamento do viajante.

Segundo ele, hoje praticamente todo aeroporto relevante já oferece algum tipo de lounge, o que mostra como esse tipo de serviço deixou de ser diferencial para se tornar parte da expectativa do passageiro. Na visão do executivo, as marcas passaram a entender que a experiência vai muito além do check-in e da bagagem despachada, e que há um público disposto a investir mais por conforto e conveniência ao longo da jornada.

Essa mudança de mentalidade também elevou o padrão de exigência. O viajante atual busca experiências mais completas dentro do aeroporto, o que inclui não apenas salas VIP, mas também restaurantes parceiros, serviços de spa e soluções que tornem o deslocamento mais fluido. Lacerda observa que esse movimento acompanha diferentes perfis de público, de famílias a executivos, todos interessados em personalizar a forma como consomem esses serviços.

“Sabemos que existe demanda. O que estamos construindo agora são diferentes canais para consumir os mesmos produtos.”
Fabio Lacerda, da Dragonpass

Dentro da estratégia global da Dragonpass, a América Latina ganhou protagonismo, especialmente o Brasil, que combina crescimento no volume de viagens com abertura para inovação. O executivo afirma que alguns produtos da empresa, inclusive, serão lançados primeiro na região antes de serem levados para outros mercados, reforçando o potencial local. “Nesse ano, lançaremos o serviço de ‘e-concierge’ dentro do aplicativo Dragonpass, alimentado por nossa inteligência artificial. Isso responde à forte demanda de viajantes que planejam suas viagens totalmente online”, revela.

Na prática, a companhia trabalha para ampliar as formas de acesso aos benefícios, integrando sua tecnologia a cartões de crédito, programas de fidelidade e outros canais. A lógica, segundo ele, é simples: se o cliente já tem direito a determinados benefícios, é preciso facilitar o uso e ampliar as possibilidades de consumo desses serviços.

A tecnologia, aliás, é o principal pilar dessa transformação. Como ele adiantou, a empresa aposta no uso de inteligência artificial para personalizar a jornada do viajante e antecipar necessidades. Entre as novidades, está o lançamento de um serviço de concierge por IA que vai deve auxiliar o usuário durante toda a jornada da viagem.

Apesar dos avanços, o crescimento acelerado do setor trouxe um problema evidente: a sensação constante de superlotação. De acordo com Lacerda, esse fenômeno não está restrito às salas VIP, mas reflete uma limitação estrutural dos próprios aeroportos, que muitas vezes não conseguem expandir suas áreas na mesma velocidade da demanda.

Para lidar com esse cenário, a estratégia passa por diversificar o uso dos benefícios e reduzir a concentração de pessoas nos lounges. Isso inclui incentivar experiências alternativas, como restaurantes e outros parceiros além de estimular o uso de agendamento prévio para organizar melhor o fluxo de passageiros. Na avaliação do executivo, o tempo de espera ainda é um dos principais fatores que desestimulam o uso desses espaços.

“O consumidor tem mais poder de escolha. Nem todo mundo precisa usar o lounge — pode preferir uma experiência gastronômica.”
Fabio Lacerda, da Dragonpass

Outro ponto relevante é o desenvolvimento de serviços ainda pouco explorados na América Latina, como o Fast Track, acesso rápido a áreas restritas do aeroporto já consolidado em outros mercados, mas ainda incipiente na região. Atualmente, somente os aeroportos de Guarulhos e Riogaleão possuem o serviço. A empresa afirma estar trabalhando diretamente com aeroportos para viabilizar esse tipo de solução.

Com mais de 1.400 lounges parceiros no mundo e uma base global de milhões de usuários, a Dragonpass segue ampliando sua presença e investindo em novos formatos de acesso. A tendência, segundo Lacerda, é que cada vez mais empresas passem a incorporar esse tipo de benefício em seus próprios ecossistemas, ampliando o alcance e a relevância da experiência aeroportuária.

No fim das contas, o movimento aponta para uma transformação mais ampla: os aeroportos estão deixando de ser apenas locais de passagem para se tornarem espaços de experiência. E, nesse novo cenário, quem conseguir equilibrar escala, tecnologia e qualidade deve sair na frente.

Como usar

Para utilizar o benefício Dragonpass, o viajante geralmente não precisa de um cartão físico, tudo é gerido de forma digital e integrada. O acesso pode ocorrer por meio de assinaturas pagas diretas para a Dragonpass ou, mais comumente, como um benefício oferecido por cartões de crédito premium (a maioria deles da bandeira Visa). Para isso, o portador do cartão deve entrar em contato diretamente com o banco emissor para verificar se há parceria e as condições.

Após a verificação, o usuário deve se registrar aplicativo oficial ou em plataformas parceiras (como o programa Visa Airport Companion). O viajante recebe um QR Code digital, que serve como sua identidade de membro para acessar os benefícios.

Acesso a Salas VIP (Lounges)

Esta é a função principal. O processo funciona assim:

  • Localização: O usuário busca no app as salas disponíveis no aeroporto onde se encontra
  • Entrada: Basta apresentar o QR Code na recepção da sala VIP
  • Custo: Dependendo do plano do seu cartão ou assinatura, o acesso pode ser gratuito (ilimitado), ter uma cota de visitas anuais gratuitas ou ser pago à parte (com um valor fixo por pessoa).

Benefícios Gastronômicos e Restaurantes

Diferente de outros programas, a DragonPass é forte em parcerias com restaurantes: em vez de entrar em uma sala VIP, o viajante pode usar um “crédito” (geralmente em torno de US$ 32, mas pode variar) para consumir em restaurantes selecionados dentro do aeroporto. Tudo estará descrito no app.

Serviços Adicionais de Luxo

Pelo aplicativo, também é possível agendar e utilizar:

  • Meet & Assist: um concierge que acompanha o passageiro desde o check-in até o portão de embarque
  • Traslados (Transfer): Reserva de transporte privativo de ou para o aeroporto
  • Tratamentos de Spa: Descontos ou acessos a serviços de massagem e relaxamento em terminais específicos

Vale lembrar que esses serviços adicionais geralmente são pagos separadamente ao prestador.