MME amplia atuação em Alagoas e mira 20 mil clientes multipropriedade até 2030
O mercado de tempo compartilhado e multipropriedade imobiliária se consolidou como uma das vertentes de maior crescimento no turismo brasileiro nos últimos anos. A promessa de garantir férias anuais em resorts de alto padrão pagando uma fração do valor de uma propriedade individual atrai milhares de famílias. No entanto, o formato ainda gera dúvidas sobre custos fixos contínuos, regras de intercâmbio e a real utilidade do contrato no longo prazo.
Para entender a mecânica operacional desse modelo sem os exageros das abordagens comerciais, o PRONTO PRA VIAJAR foi até Maceió e conversou com Luiz André Vasconcelos, diretor comercial do MME Vacation Club, divisão do grupo alagoano MME, que soma quase quatro décadas de atuação nos setores de hotelaria e construção civil. O executivo defende uma postura de transparência com o consumidor para evitar frustrações futuras. “A multipropriedade não é um investimento financeiro e não deve ser vendida como tal. É um investimento estritamente focado em uso, férias e em memórias com a família. Quem entra no negócio esperando rentabilidade sobre o capital ou facilidade de revenda está no lugar errado”, afirma Luiz André.
A MME segue expandindo sua presença no litoral de Alagoas, com soluções de férias estruturadas sob medida para diferentes perfis e orçamentos. O portfólio da marca abrange desde o Ipioca Beach Residence & Resort, empreendimento em pleno funcionamento no modelo de multipropriedade com estrutura de lazer, gastronomia e serviços à beira-mar, até o Ipioca Beach Home Collection, projeto em construção com entrega prevista para 2027, que aposta em unidades mais amplas e ambiente privativo de padrão residencial.

A lógica do modelo multipropriedade: compartilhamento de custos e tempo de uso
A premissa do modelo é simples: em vez de arcar sozinho com a compra, manutenção e custos fixos de uma casa de praia, por exemplo, que passará boa parte do ano fechada, o cliente adquire uma fração do imóvel ou o direito de uso por um período determinado. No formato praticado no Ipioca Beach Residence & Resort, o comprador adquire o direito de utilizar a estrutura a partir de duas semanas ao ano.
O investimento inicial gira em torno de 45 mil reais para a aquisição da cota de duas semanas. Além do valor de entrada, o cliente assume uma taxa de manutenção mensal proporcional. Essa taxa substitui o condomínio tradicional e cobre despesas como conservação, limpeza, troca de mobiliário e a gestão hoteleira do complexo. “Se a pessoa tem uma casa de praia tradicional, ela paga condomínio, IPTU e manutenção durante doze meses para usar um ou dois meses no ano. Na multipropriedade, o custo fixo é fracionado e proporcional ao tempo de uso real do cliente, com a garantia de encontrar o imóvel sempre pronto e bem mantido”, destaca Luiz André Vasconcelos.
Flexibilidade de destinos por meio de redes de intercâmbio
Uma das dúvidas mais frequentes de quem analisa o produto é o receio de ficar preso ao mesmo destino todos os anos. Vasconcelos explica que há flexibilidade e que o segredo está nas parcerias com redes globais de intercâmbio de férias, como a RCI.
Por meio da aliança, o proprietário pode ceder suas semanas no resort de origem para viajar para mais de 4.300 hotéis e resorts credenciados ao redor do mundo. O processo exige, no entanto, o pagamento de uma taxa extra operacional de intercâmbio por reserva, que gira em torno de 600 reais para destinos nacionais e 2.000 reais para viagens internacionais, eliminando a necessidade de pagar diárias adicionais no hotel de destino.
Caso o cliente queira estender sua estadia para além das semanas contratadas em seu contrato de origem, a MME oferece descontos sobre as tarifas vigentes da hotelaria tradicional. “O objetivo é dar opções para a família viajar mais e melhor. Se o proprietário quiser ir para Maceió, o resort dele está lá. Se quiser conhecer outro lugar no Brasil ou no exterior, ele usa o sistema de intercâmbio e paga a taxa operacional”, pontua o diretor.
Para quem o produto vale a pena e para quem não vale
A clareza sobre a aderência do perfil de consumo ao produto é o ponto central. O MME Vacation Club conta com uma ampla estrutura e equipe de captação de clientes em Maceió para exatamente fazer bem esse filtro. O modelo é desenhado para atender famílias consolidadas, com orçamento estruturado, que já possuem a rotina inflexível de viajar em períodos de alta temporada (como nas férias escolares de janeiro e julho, por exemplo). Para esse público, pré-pagar a hospedagem dos próximos anos pode ser uma espécie de “proteção” contra a inflação das diárias hoteleiras, muito comuns nessas épocas.
Por outro lado, o modelo não se encaixa nas necessidades de todos os perfis de viajantes. Pessoas sem o hábito de planejar férias anuais acabam pagando a taxa de manutenção mensal sem usufruir do serviço. Da mesma forma, viajantes com perfil mais econômico, pessoas em fase de constituição de reserva financeira, e investidores em busca de liquidez rápida não encontram vantagem no formato. “Infelizmente, nem todas as empresas do setor vendem o modelo com a clareza necessária. Quando as regras não são explicadas com transparência na hora da captação, o cliente acaba acreditando que está fazendo um investimento financeiro com retorno garantido, o que gera uma frustração enorme lá na frente. Essa falta de alinhamento com o consumidor prejudica quem compra e acaba contaminando a imagem de todo o mercado de multipropriedade no Brasil”, alerta Luiz André Vasconcelos.
A carteira do MME Vacation Club conta atualmente com cerca de 7.000 clientes ativos, e a projeção do grupo é alcançar 20.000 famílias até 2030, impulsionada por novos lançamentos no litoral alagoano. “Família e férias precisam ser tratadas como prioridade orçamentária para quem busca criar memórias. Mas isso só funciona quando a pessoa entende exatamente o que está comprando, assume o compromisso com o uso e não compra por impulso”, conclui Luiz André Vasconcelos.
Decidir entre comprar uma fração imobiliária ou seguir na hotelaria tradicional depende, em última análise, de um diagnóstico honesto sobre os hábitos e as finanças de cada família. Quando o consumidor compreende com clareza as regras do contrato, assume o compromisso com as taxas de manutenção e foca estritamente no uso e na criação de memórias, a multipropriedade se mostra um modelo inteligente e previsível de planejamento de férias. Por outro lado, para quem busca rentabilidade financeira ou total flexibilidade sem custos fixos, o formato passa longe de ser a melhor escolha.
A chave para não errar está em encarar a decisão com racionalidade, alinhando expectativas reais ao orçamento disponível para transformar o tempo livre no que ele realmente deve ser: descanso e momentos inesquecíveis.
Conheça mais
- Rede MME: mmehoteis.com.br | @mmehoteis
- MME Vacation Club: @mmevacationclub
👉 Siga o PRONTO PRA VIAJAR no Instagram e tome as melhores decisões para a sua viagem: https://www.instagram.com/ppviajar/
